29 Julho, 2005

"Se Brincar o Bicho Morde"

The Sandlot, de David M. Evans
(EUA, 1993)


por Café

Talvez, se eu não estivesse com insônia, nem parasse para assistir a Se Brincar o Bicho Morde. Talvez tenha influenciado o fato de o filme falar sobre beisebol, esporte tão rejeitado por aqui e que eu aprendo cada vez mais a admirar. Ou talvez tenha sido por falar de uma turma de garotos e se passar na década de 60. Filmes sobre jovens dos anos 60 costumam cativar facilmente, seja pela caprichada trilha sonora ou pelo clima aparente de felicidade de uma época nostálgica.

O filme trata de um verão mágico na infância de uma turma de garotos. Após a chegada do 9º componente da turma, finalmente o time de beisebol está completo. Além de se divertirem num campinho improvisado num terreno baldio, eles usufruem a inocência e inconseqüência típica da idade, exemplificado na simples felicidade de poder jogar á noite no 4 de Julho, quando o campo está iluminado pelos fogos de artifício. A cena em que um deles simula um afogamento para receber uma respiração boca-a-boca da bela salva-vidas nos remete às táticas usadas ou apenas planejadas para fazermo-nos notar pelas musas da nossa infância.

É verdade que boa parte da trama não tem muitos atrativos. A amizade dos garotos se resume a seu próprio grupo. Não há um interesse maior por vizinhas, e as rixas com garotos vizinhos se resumem a um jogo onde o adversário é facilmente derrotado. Contudo, este cotidiano só faz crescer a amizade do grupo e mostrar que desde cedo aquele verão será único.

A situação muda quando uma bola vai parar no quintal da casa vizinha ao campo. O problema é que a bola é autografada por Bambino, o maior jogador de todos os tempos, e foi indevidamente tirada da coleção do padrasto de um deles. Além disso, no quintal da casa há uma fera que segundo se conta, teria devorado um menino por inteiro. As cenas com a suposta fera são muito bem feitas e acaba por determinar o futuro no esporte de um deles.

Filmes como este, singelos na sua proposta, talvez nos seja especial pelo fato de lembrar-nos dos nossos momentos inesquecíveis. Aqueles que se contados hoje parecem tolos e desinteressates, mas que guardam uma parte importante de cada um de nós.

Como curiosidade, a presença na direção de fotografia de Anthony B. Richmond, renomado cinegrafista, cujos trabalhos anteriores incluem o documentário musical Let it Be dos Beatles e uma parceria com Godard no também documentário Sympathy for the Devil (também conhecido como One Plus One) .

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