13 Setembro, 2005

"Três Vidas e Um Destino"

Head in the Clouds, de John Duigan
Estados Unidos, 2004


por Café

Sempre quando conversava sobre pessoas ditas engajadas com meu ex-professor de História, ele me contava o caso de um grande amigo seu. Brasileiro de classe média, diferente destes esquerdistas atuais que muito falam e pouco fazem, este amigo, tão logo explodiu a Guerra Civil Espanhola, comprou passagem só de ida para lutar ao lado dos rebeldes espanhóis. Derrotados, seguiram à França para se unir à Resistência Francesa ao nazismo. Essa incrível história não é muito diferente da vivida por Guy (Stuart Townsend, de Rainha dos Condenados) em Três Vidas e Um Destino.

Guy é surpreendido quando Gilda Bassé (Charlize Theron, de Uma Saída de Mestre) se abriga no seu quarto por uma noite. Mulher moderna e cativante, ela mantém um caso liberal com um professor e logo ela e Guy se apaixonam. Separam-se por um tempo, mas logo se reencontram em Paris. Passam a dividir o apartamento com a enfermeira Mia (Penélope Cruz, de Vanilla Sky), uma refugiada espanhola. Desde cedo, talvez pela maior restrição econômica, Guy desenvolve um discurso político engajado, mas sempre é contestado pelo espírito carpe diem da boêmia Gilda. Guy e Mia acabam se alistando como voluntários na Espanha na luta contra o fascismo de Franco. Os dois acabam se isolando de Gilda, que parece ignorar a realidade histórica que a cerca.

Mais um exemplar do gênero romance-que-se-passa-numa-guerra, o diretor John Duigan parece preguiçoso e formal demais na maneira que mostra a história. O romance entre Guy e Gilda nunca chega a empolgar, nem tão pouco o suposto triângulo romântico da trama. A atuação de Charlize Theron em muitos momentos segura a atenção, mas não é o suficiente para dar o equilíbrio desejado ao filme. A França da Segunda Guerra Mundial parece ser retratada com desleixo pela equipe técnica, como se um ‘becozinho’ de paralelepípedos resolvesse completamente a caracterização da época.

Mesmo assim, Três Vidas e Um Destino acaba se diferenciando de filmes como Cold Mountain pelo mérito de discutir as diferentes maneiras possíveis de se lutar por um ideal. As pessoas na agitação dos acontecimentos parecem regredir a um comportamento repressor, onde apenas um tipo de conduta é aceitável. Será que os (ex)petistas irão concordar?

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