01 Outubro, 2005

"A Chave Mestra"

The Skeleton Key, de Iain Softley
Estados Unidos, 2005


por Café

Nas últimas semanas, o furacão Katrina tomou conta dos noticiários. A destruição causada pela tempestade na cidade de Nova Orleans foi destaque, bem como a falta de assistência de Bush aos desabrigados – em sua maioria negros. A mais soteropolitana das cidades norte-americanas ganha destaque na mídia coincidentemente ao mesmo tempo em que dois filmes ambientados na cidade ganham destaque no circuito: Uma Canção para Bobby Long, que foi lançado direto para as locadoras, e A Chave Mestra, suspense que faz uma boa bilheteria nos cinemas.

A Chave Mestra, a princípio, parece não se esforçar para fugir da estereotipagem típica de filmes em Nova Orleans, com músicos decadentes ou pessoas fazendo vodu. Hollywood fez escola com a Globo (ou seria o contrário?) e sempre que o filme não se passa no eixo Nova York-Los Angeles é apenas para "temperar" a história com elementos locais ao gosto do diretor.

Kate Hudson (de Quase Famosos) é Caroline, uma jovem enfermeira que decide ir cuidar de um paciente na região pantanosa da cidade (a mais afetada pelo furacão) a fim de dar uma incrementada na renda. Seu paciente é um senhor que sofreu um derrame e mora sozinho com sua esposa numa mansão. A chave mestra do título abre todas as portas da casa, exceto... um quartinho isolado. É claro que nossa heroína será curiosa o suficiente para entrar no quarto e se empenhar em resolver o mistério que o circunda.

Hudson é sem dúvidas o ponto forte do filme. Diferente daquelas loiras em filmes do gênero, que só sabem gritar, sua Caroline é forte e destemida o bastante para encarar a situação, que vai se complicando à medida em que ela se dedica ao caso.

Iain Softley (de Cinco Rapazes de Liverpool e K-Pax) não está à altura das possibilidades que o tema lhe oferece. Vodu e magia negra, se bem administrados, dariam um ótimo filme de terror, contribuindo para o clima de suspense de A Chave Mestra. Ao invés disso, Softley opta por fazer uma cópia b de Coração Satânico, este sim um grande filme no tema.

O roteiro de Ehren Kruger (de O Suspeito da Rua Arlington) não colobora também. Uma breve olhada na filmografia de Kruger revela que seus roteiros têm sempre twist-in-the-end, aquela obrigação de um “final surpreendente” (final este que se mostra óbvio demais em Chave Mestra). Como consolo, a forma interessante como se dá o desfecho do filme - e não a história revelada. Uma cena final com ironia e inteligência que falta ao restante do filme (será que foi o assistente que dirigiu?).

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