25 Outubro, 2005

"A Lenda do Zorro"

The Legend of Zorro, de Martin Campbell
Estados Unidos, 2005



por Café

O presidente conservador, autoritário e perverso de um país importante determina que todos os mexicanos residentes nas suas antigas terras sejam expulsos sem muita demora. O que o povo oprimido faria? Correria para a igreja e faria o sino soar cinco vezes para chamar o Zorro! É, mas na vida real, as coisas são um pouquinho mais complicadas...

Esta semana George W. Bush decretou uma caça aos imigrantes ilegais, principalmente aos mexicanos. Conhecidos pejorativamente como cucarachas (baratas, em espanhol), o presidente americano está querendo expulsar do país os descendentes dos antigos donos de boa parte dos Estados Unidos (porque os donos da outra parte, os índios, já foram mortos por John Wayne e sua gangue).

Com esse interessante contexto se desenrolando atualmente, A Lenda do Zorro se tornava interessante para sabermos qual posicionamento ele tomava. Seria um filme sobre a opressão ao Zé Povão ou mais um filme ufanista ianque?

A Lenda do Zorro começa dez anos após a trama de A Máscara do Zorro. O nosso herói continua lutando pelas causas nobres, sendo adorado pelo povo. Mas em casa sua situação não está nada boa. Elena (Catherine Zeta-Jones) continua casada com o Zorro (Antonio Banderas) e o acusa de ser um pai e marido ausente. Coloca-o contra a parede, diz “ou eu ou a máscara” e, com isso, acaba forçando um divórcio. Zorro não pode se aposentar ainda porque a Califórnia pré-Schwarzenegger está em vias de se anexar à União (Estados Unidos) e muitos estão querendo boicotar este processo. Para quem sabe um pouco de História, é lastimável a distorção dos fatos nessa parte do filme. Dizer que a Califórnia foi livre e espontaneamente inserida nos Estados Unidos é uma leviandade.

Zorro, então, fica meio sem ter o que fazer. Ninguém precisa de sua ajuda nos três meses seguintes e ele passa a se dedicar em tempo integral ao papel de corno-manso, já que sua ex-esposa troca sorrisinhos com um almofadinha forasteiro. Para completar, seu filho lhe acha um George McFly do velho oeste e tem em Zorro seu ideal. Sinceramente, esse clichê de que o homem normal não consegue superar o herói ao qual encarna nem Stan Lee mais agüenta.

Lembra da pergunta no começo do texto (“Seria um filme sobre a opressão ao Zé Povão ou mais um filme ufanista ianque?”)? Na sua primeira metade, o filme parece se encaixar na primeira afirmação. Zorro é o Robin Hood que não rouba, O Varela dos mexicanos. Não há espaços para injustiças e o povo aqui assume um papel primordial. Isso até o momento da prisão... A partir desta cena, o foco do filme muda e o que vemos é um bando de forasteiros construindo a bomba atômica da época e querendo destruir a América. Acreditem!

Banderas e Zeta-Jones dão continuidade à ótima química que rendeu mais de 200 milhões de dólares no primeiro filme. Os beijos desentupidor-de-pia ainda marcam presença, mas não são suficientes para segurar a tensão do filme. O diretor Martin Campbell usa a desculpa da descoberta da nitroglicerina para exagerar nas explosões, mais ainda do que no primeiro filme. Resultado: uma senhora ao fim do filme questionou: “Onde está o Tonto que não ajuda o Zorro?”. Não a corrigi, pois sei que filmes assim realmente nos deixam tontos e confusos.

16 Outubro, 2005

"O Senhor das Armas"

Lord of War, de Andrew Niccol
Estados Unidos, 2005



por Café

Outubro é mês de plebiscito sobre a não-proibição da não-comercialização de armas de fogo e é uma feliz coincidência (será que realmente foi coincidência?) a chegada de Senhor das Armas aos cinemas.

Na cena inicial, vemos a trajetória de vida de uma bala. Ao som de For What It's Worth, de Buffalo Springfield, a cena se inicia na linha de produção em algum lugar da ex-União Soviética, passa por portos sob o comando de traficantes até servir de munição ao fuzil em alguma guerra civil africana e acabar na cabeça de uma criança. Esta cena inicial já prepara o espectador para o que o filme propõe: uma reflexão sobre o mundo dos traficantes de armas.

Yuri Orlov é o Sr. da Guerra do título original. Ele é um imigrante russo que se muda ainda pequeno para os Estados Unidos disfarçado de judeu. Ele vive em Odessa, região de Nova York onde está concentrada boa parte da máfia russa em solo americano. Logo ele percebe que poderia lucrar muito com o comércio ilegal de armas e o que era um simples negócio em breve o tornará um dos maiores traficantes de armas do planeta.

Aproveitando-se do esfacelamento das repúblicas soviéticas, ele suborna um oficial ucraniano (seu tio, aliás) que passa a municiá-lo com enormes quantidades a preços irrisórios, o sonho de qualquer empreendedor. Yuri passa a influenciar decisivamente nos conflitos mundiais, destacadamente na África.

O roteiro e a direção de O Senhor das Armas são de Andrew Niccol e prendem o espectador pela variedade de situações e pela forma quase fantasiosa como é contada a história. A cena que o presidente da Libéria, o principal cliente de Orlov, culpa a MTV pela má educação dos jovens traz sarcasmo e ironia numa fala quase despretensiosa, comprovando que Niccol não perdeu a mão desde seu excelente rotreiro de O Show de Truman (acredito piamente que quando dirigiu Simone ele estava sob medicação pesada).

A atuação de Nicolas Cage (de Os Vigaristas) beira o perfeito. Seu Orlov é um sujeito crível, quase um sujeito comum. Ele é um bom pai, marido e irmão. Ele bem que poderia ser seu vizinho. Por trás dessa aparente inocência, esconde-se um sujeito que covardemente influi negativamente na vida de milhões de pessoas no mundo. Ethan Hawke (de Antes do Pôr-do-Sol) mais uma vez confirma seu talento na pele de um agente da Interpol que vive perseguindo Orlov. A surpresa fica por conta de Eamonn Walker como o presidente liberiano André Baptiste, responsável pelos melhores momentos do filme. O ponto baixo é Jared Leto (de Réquiem para um Sonho) interpretando o irmão do protagonista num papel dispensável.

O Senhor das Armas mantém um ritmo interessante até o momento “marrom-marrom” (quem assistir saberá). A partir daí o filme perde totalmente seu ritmo e discurso, passando a não convencer. No último ato, entretanto, o filme volta a mostrar a que veio, mas parece que as notas que aparecem ao fim da projeção (e que são de suma importância) bem que poderiam estar no roteiro de forma mais contundente.

A trilha sonora me pareceu muito óbvia. Young Americans, de David Bowie, para mostrar Yuri e o irmão (apesar de serem russos) fazendo sucesso, Money (That's What I Want), de Flying Lizards, quando os protagonistas começam a ganhar dinheiro e Cocaine, de Eric Clapton, quando cheiram cocaína não me parecem um exercício de criatividade. A bela Hallelujah na voz de Jeff Buckley também aparece num momento totalmente impróprio.

Baseado na biografia de cinco traficantes de armas, Yuri Orlov é a personificação da falta de escrúpulos e princípios não só destes traficantes, mas sim de todos que de alguma forma lucram com a exploração de outras pessoas. Talvez por isso nenhum estúdio americano tenha financiado o filme. Assim como em O Jardineiro Fiel, fica claro que não há limites para cada um prosperar em seus negócios. As vidas custam pouco, são descartáveis. E ainda podemos fazer uma mea culpa como o protagonista e dizermos que não somos nós quem puxa o gatilho.

15 Outubro, 2005

"O Jardineiro Fiel"

The Constant Gardener, de Fernando Meirelles
Inglaterra, 2005



por Café

O mundo das agências de propaganda é cheio de historinhas. Era uma vez mais uma festa de premiação dos melhores daquele ano. Um certo profissional, fora do mercado há pelo menos dois anos, mesmo assim foi escolhido O Publicitário do Ano, tal sua força e presença no mercado. O nome dele era Fernando Meirelles.

Meirelles tem sua trajetória fora da publicidade marcada por dirigir episódios do Telecurso 2000 e tentativas discretas no meio cinematográfico, como Domésticas. Mas com Cidade de Deus, Meirelles aparecia ao mesmo tempo para o Brasil (pois pouca gente o conhecia) e para o mundo, o resto é História (e não historinha)...

Logo, sua migração para o mercado internacional era um passo lógico, ainda mais após as 4 indicações ao Oscar (incluindo Melhor Diretor). Centenas de projetos lhe foram oferecidos, tendo inclusive começado a dirigir Colateral, ainda com Russell Crowe como protagonista. Ele estava inclinado a começar um projeto pessoal quando apareceu a oportunidade de dirigir O Jardineiro Fiel.

Baseado no best-seller de John Le Carré (que na verdade se chama David Cornwell), O Jardineiro Fiel nos mostra o casal Quayle vivendo no Quênia. Justin (Ralph Fiennes, de Spider) é um alto diplomata britânico, figura quase decorativa. Ele passa mais tempo cuidando de seus jardins do que influindo nas decisões globais. Tessa (Rachel Weisz, de Constantine) é uma jovem advogada engajada e que vê na mudança para Nairóbi uma possibilidade de aumentar sua militância.

A atuação de Fiennes e Weisz é a harmonia que domina o filme. Fiennes principalmente - como na cena do necrotério, onde faz uma atuação minimalista, que mais diz com o silêncio do que poderia com mil frases. A cena na qual ele descobre um vídeo íntimo gravado pela sua esposa é de arrebatar até os corações mais insensíveis. Todas as cenas que possuem um ponto de vista de algum personagem foram gravadas pelos próprios atores, numa liberdade não habitual em Hollywood (Meirelles insiste que não é um filme americano, nem no sentido de financiamento, nem de mentalidade de produção). Destacam-se ainda no elenco Danny Hustoun (filho de John Huston), Bill Nighy (de Simplesmente Amor) e Pete Postlethwaite (de Em Nome do Pai) numa participação pequena, porém marcante.

Meirelles afirma que o livro tem uma visão muito colonialista do continente africano. Pois a África não é retratada de forma tão digna desde ABC África, de Abbas Kiarostami. A câmera nunca parece querer nos mostrar aquela beleza que nos envergonha, a beleza da miséria. O termo “estética da fome” foi usado pejorativamente à época de Cidade de Deus e para nossa sorte esquecido nos dias atuais. Meirelles junto com seu diretor de fotografia brasileiro César Charlone (o mesmo de Cidade de Deus, segundo Meirelles co-diretor do filme) nos mostram uma África um pouco diferente daquela que a mídia nos mostra.

A favela de Kibera, a maior do Quênia, faz do barro das paredes dos seus barracos e da terra batida no chão um único tom, monocromático, apenas aliviado pelo azul insistente do céu. Os planos alcançados por Charlone parecem tirados de uma pintura expressionista e expressam (redundante mesmo!) fielmente a textura da trama.

Fernando Meirelles afirma que “cinema é arte, mas é indústria também. O dia que eu quiser expressar livre e integralmente minha subjetividade basta escrever um poema, fazer uma aquarela, algo sim. É como funciona. Faço isso sem problemas”. Assume assim um lugar respeitável dentre os cineastas brasileiros, fato difícil num país onde todos parecem órfãos do “jeito Glauber de fazer cinema”.

Com uma clara influência de 21 Gramas (um dos "filmes de cabeceira" de Meirelles durante as filmagens), principalmente com relação ao valor da vida, O Jardineiro Fiel é um filme sobre o amor. Amor entre duas pessoas, amor à vida de outras pessoas. Amor a um continente que teimamos em negligenciar.


Saladearte - Cine XIV
18h35

06 Outubro, 2005

"Quatro Irmãos"

Four Brothers, de John Singleton
Estados Unidos, 2005



por João Vítor e Café

Minha infância foi à base de feijão e muitos filmes de ação. Dentre os vários filmes memoráveis - Comando Para Matar, Rambo, Robocop -, um se destacava: o James Bond de Sean Connery. O cara era o ideal de herói de ação: arrebentava os vilões, traçava todas as mulheres e não tava nem aí pra nada e nem pra ninguém. Pois o mesmo personagem que usava mulher como escudo humano (na época de Connery), já nos anos 90, acredite se puder, hesitava em matar uma vilã só por ter ido para a cama com ela (isto já com o Brosnan). Neste momento, a série se tornou síntese da decadência do cinema de ação. Sua causa? O politicamente correto, fato gerador dos heróis da década passada, seres sensíveis que matam apenas para salvar a própria vida e não falam palavrão, ou seja, umas bichinhas. É justamente por nadar contra essa maré de conservadorismo que Quatro Irmãos é tão bom.

Refilmagem de Os Filhos de Katie Elder, Quatro Irmãos conta a história de (adivinhem?) quatro irmãos adotados (2 negros e 2 brancos) que se reúnem para investigar e, obviamente, vingar a morte mal-explicada da mãe adotiva. Os irmãos foram rejeitados por um sistema informal de adoções por nunca terem sido exemplos de bom comportamento (nos créditos finais aparecem as “performances” de cada um), fazendo com que a bondosa senhora Mercer os adotasse. Mesmo com heróis(?) tão dúbios, em nenhum momento a empatia da platéia com os personagens é afetada. Mark Wahlberg (de Huckabees), Tyrese Gibson (de + Velozes, + Furiosos), André Benjamin (de Be Cool) e Garrett Hedlund (de Tudo Pela Vitória) fazem qualquer um acreditar que aquela é uma família de verdade.

Eterna promessa desde que Os Donos da Rua surpreendeu o mundo com sua linguagem direta e uma estética crua ao mostrar a violência, John Singleton havia se tornado um diretor mediano. Seus filmes, como Massacre de Rosewood e Shaft, davam a impressão de que seriam muito melhores com outro no comando. Quatro Irmãos é mais um exemplo da visão muito particular sobre justiça do diretor John Singleton (neguinho tem que resolver as coisas é na bala, a polícia não serve pra nada e Charles Bronson deveria ser Ministro da Justiça). Neste filme, porém, ele supera todas as expectativas. Mostrando coragem, Singleton gasta uns vinte minutos no começo do filme só para vermos a interação entre os personagens. São cenas em que nada de importante acontece, mas que se torna crucial para que torçamos pelos irmãos em seguida. Porque quando eles começam a investigação...

O grande mérito do roteiro de Paul Lovett e David Elliot é compreender perfeitamente seus personagens. Ali não estão policiais interessados em fazer justiça. O que eles buscam é pura e simplesmente vingança. Soma-se a isso o passado violento de todos eles e o fato de que, convenhamos, mataram a mãe dos caras! Prepare-se então para uma enxurrada de torturas, tapas, execuções e o “escambáu”, com destaque para quando eles vão interrogar uma testemunha. Surpreendentemente, são dessas cenas que surgem momentos hilários, frutos da falta de clemência e total desrespeito pelas leis demonstradas pelos irmãos, em especial o irmão mais velho Bobby (Mark Whalberg, cada vez melhor em suas atuações). E heróis tão fortes necessitam de antagonistas mais fortes ainda. E Quatro Irmãos também não decepciona neste quesito. Victor Sweet (Chiwetel Ejiofhor, de Melinda e Melinda) já é candidato ao prêmio de Melhor Vilão do Ano do MTV Movie Awards. Um cara cruel e que não poupa nem seus capangas. Um cara mau porque... é mau. Ele tem um figurino que remete imediatamente aos filmes black dos anos 70 (referência constante no filme, seja pelos closes característicos da época, seja pelo “espírito” da história).

As cenas nas quais os irmãos relembram da mãe mostram o desconforto do diretor em filmar cenas mais sensíveis e, juntamente com uma pequena queda de ritmo após o espetacular tiroteio que fecha o segundo ato, mostram que o filme não é perfeito. Contudo, Quatro Irmãos tem qualidades suficientes para ser considerado o melhor filme-pipoca do ano até agora com um corpo de vantagem (e um dos mais lucrativos, já tendo arrecado mais de duas vezes seu orçamento). Mesmo que atualmente James Bond fique chocado com tanta violência.

01 Outubro, 2005

"A Chave Mestra"

The Skeleton Key, de Iain Softley
Estados Unidos, 2005


por Café

Nas últimas semanas, o furacão Katrina tomou conta dos noticiários. A destruição causada pela tempestade na cidade de Nova Orleans foi destaque, bem como a falta de assistência de Bush aos desabrigados – em sua maioria negros. A mais soteropolitana das cidades norte-americanas ganha destaque na mídia coincidentemente ao mesmo tempo em que dois filmes ambientados na cidade ganham destaque no circuito: Uma Canção para Bobby Long, que foi lançado direto para as locadoras, e A Chave Mestra, suspense que faz uma boa bilheteria nos cinemas.

A Chave Mestra, a princípio, parece não se esforçar para fugir da estereotipagem típica de filmes em Nova Orleans, com músicos decadentes ou pessoas fazendo vodu. Hollywood fez escola com a Globo (ou seria o contrário?) e sempre que o filme não se passa no eixo Nova York-Los Angeles é apenas para "temperar" a história com elementos locais ao gosto do diretor.

Kate Hudson (de Quase Famosos) é Caroline, uma jovem enfermeira que decide ir cuidar de um paciente na região pantanosa da cidade (a mais afetada pelo furacão) a fim de dar uma incrementada na renda. Seu paciente é um senhor que sofreu um derrame e mora sozinho com sua esposa numa mansão. A chave mestra do título abre todas as portas da casa, exceto... um quartinho isolado. É claro que nossa heroína será curiosa o suficiente para entrar no quarto e se empenhar em resolver o mistério que o circunda.

Hudson é sem dúvidas o ponto forte do filme. Diferente daquelas loiras em filmes do gênero, que só sabem gritar, sua Caroline é forte e destemida o bastante para encarar a situação, que vai se complicando à medida em que ela se dedica ao caso.

Iain Softley (de Cinco Rapazes de Liverpool e K-Pax) não está à altura das possibilidades que o tema lhe oferece. Vodu e magia negra, se bem administrados, dariam um ótimo filme de terror, contribuindo para o clima de suspense de A Chave Mestra. Ao invés disso, Softley opta por fazer uma cópia b de Coração Satânico, este sim um grande filme no tema.

O roteiro de Ehren Kruger (de O Suspeito da Rua Arlington) não colobora também. Uma breve olhada na filmografia de Kruger revela que seus roteiros têm sempre twist-in-the-end, aquela obrigação de um “final surpreendente” (final este que se mostra óbvio demais em Chave Mestra). Como consolo, a forma interessante como se dá o desfecho do filme - e não a história revelada. Uma cena final com ironia e inteligência que falta ao restante do filme (será que foi o assistente que dirigiu?).