"Harry Potter e o Cálice de Fogo"
Estados Unidos, 2005
por Café
Fenômeno mundial em gerar receitas, os livros e filmes de Harry Potter estavam destinados inicialmente para crianças e pré-adolescentes. Isso explica o tom exageradamente infantil e as cópias dubladas assolando os cinemas anos atrás. Entretanto, os leitores de Harry Potter cresceram e junto com eles os personagens da série - fato que a escritora J. K. Rowling sabe explorar muito bem.
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban já era um passo importante neste sentido. O diretor Alfonso Cuarón havia imprimido uma narrativa mais sombria à terceira parte da série. O perigo para Harry Potter e seus amigos era cada vez mais real, assim como os desafios de suas vidas. Logo, Harry Potter e o Cálice de Fogo era uma passo natural na maturação da trama e de seus personagens.
Todos estão reunidos na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts para a disputa do Torneio Tribuxo, disputa internacional entre representantes das principais escolas de bruxaria da Europa. Um representante de cada escola arriscará sua vida em busca da glória eterna. Por estes perigos e pela aparição dos Comensais da Morte (soldados fiéis do lorde “Você-Sabe-Quem” Voldemort), todos os jovens menores de 17 anos são barrados no baile (nesse caso, no torneio). Mesmo assim, para surpresa de todos, Harry Potter (Daniel Radcliffe) acaba sendo escolhido como um representante extra, apesar de estar com apenas 14 anos. Isto, sem dúvidas, mostra que alguém está conspirando contra o bruxinho.
Mais do que os perigos das três tarefas aos quais será submetido durante o Torneio Tribuxo, Harry Potter terá um grande desafio: ser um adolescente. Em certo momento do filme ele chega a comparar a dificuldade de convidar uma garota para o baile a enfrentar dragões raivosos, preferindo a este último. O sentimento de amizade entre o trio principal de amigos também está à prova com as mudanças repentinas de humor típica dos hormônios da idade. Harry, Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) começam a sentir atração pelo sexo oposto, incluindo ciúmes e paixonites ao que era simplesmente amizade.
Os atores de Harry Potter e o Cálice de Fogo estão cada vez mais à vontade em seus papéis e torna-se interessante acompanharmos o crescimento dos personagens/atores, presentes desde o primeiro filme (Harry Potter e a Pedra Filosofal). Assim como na série Anos Incríveis, o charme consiste em se compartilhar com os personagens os seus ritos de passagem.
A aparição do principal inimigo de Potter é o ponto alto do filme. Lorde Voldemort (Ralph Fiennes, de O Jardineiro Fiel) transmite um sentimento real de medo, e sua maquiagem é perfeita, totalmente pálida, enaltecendo suas expressões faciais. Tiveram o cuidado de colocá-lo sem nariz, parecendo uma serpente (também ficou parecido com Michael Jackson). Nesta seqüência, sentimos a angústia de Potter, frente a frente pela primeira vez com o assassino de seus pais.
O principal mérito de Mike Newell é conduzir tão bem diferentes tramas dentro do mesmo filme. Segundo muitos fãs, Harry Potter e o Cálice de Fogo é o melhor livro da série. Baseado num roteiro enxuto de Steve Kloves (também roteirista dos três primeiros), Newell tem a virtude de mostrar que era possível fazer um único filme sobre o quarto livro. A Warner cogitou dividir as 734 páginas de Harry Potter e o Cálice de Fogo em dois filmes devido às suas sub-tramas, mas Newell foi contra e provou que ter sido uma decisão acertada. Contudo, Cuarón continua imbatível na visão apresentada sobre o mundo mágico de Harry Potter.











